Existiram, existiam; não mais. Aquelas vinte e quatro horas que se esticam entre escuros já não vivem em mim.
Não me chame; não ouse. Me ajude a esquecer os domingos.
Tomo um porre de espumante, desligo sem memória; congelo; entro em coma desassistido. Outra vez.
Espero um hiato; uma ponte sobre um rio poluído, um caldo de imundícies a correr sob os meus pés – esqueletos de ferro, para-lamas em carne escura, volantes forrados com veias.
Astronauta em suspenso no espaço, aguardo a chegada do último segundo. Até lá, deixe-me neste escuro, sideral; esqueça-me no alívio do tempo do nada.
Não se aproxime; nem tente. Me ajude a esquecer os domingos, que eu nasço ao raiar de outros dias.
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- Texto produzido a partir do desafio Me ajude a salvar os domingos, da oficina Escrita Matinal, em 06/10/2025
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- Na Rede
- O dispositivo e o título do meu texto fazem referência à musica da Liniker - Me ajude a salvar os domingos